
A gasolina é um dos preços mais comentados do país. Em julho de 2001, quando a ANP passou a divulgar a média mensal, o litro da gasolina comum custava R$ 1,68. Em agosto de 2026, custa R$ 6,53. A alta parece enorme: quase quatro vezes mais.
Mas há um detalhe que pouca gente conhece: nesses 25 anos, a inflação oficial foi ainda maior. Se o litro tivesse subido só a inflação, custaria hoje cerca de R$ 7,33. Ou seja, a gasolina está 10% abaixo do que estaria se acompanhasse o IPCA desde 2001. Vamos aos números.
25 anos de preço da gasolina
O gráfico mostra o preço médio mensal do litro da gasolina comum no Brasil. A subida foi gradual até 2018, houve um salto entre 2020 e 2022 e, desde então, o preço oscila entre R$ 5,50 e R$ 6,60.
Preço médio mensal do litro da gasolina comum no Brasil. Fonte: ANP.
O preço do litro, ano a ano
Preço médio no Brasil em julho de cada ano:
O salto de 2020 a 2022
De julho de 2020 (R$ 4,14) ao pico de maio de 2022 (R$ 7,28), o litro ficou 76% mais caro em menos de dois anos. Foi um período de alta do petróleo no mercado internacional e do dólar. Desde o pico, o preço recuou cerca de 10%.
A gasolina subiu mais que a inflação?
Depende do ponto de partida. Desde 2001, não: a gasolina subiu 291%, contra 336% da inflação oficial.
Já desde 2012, primeiro ano da pesquisa do IBGE que mede o rendimento médio de todos os trabalhadores, a gasolina subiu 141% — mais que a inflação (119%), mas menos que o salário médio do brasileiro (158%):
Quanto tempo de trabalho custa encher o tanque
Quem ganha o salário médio do brasileiro precisava trabalhar 16 horas e 34 minutos para encher um tanque de 40 litros em 2012. Hoje são 15 horas e 28 minutos — um pouco menos, porque o salário cresceu mais que o combustível.
Para onde vai o dinheiro da gasolina
De cada litro pago na bomba, a maior parte não fica com a refinaria. A composição do preço médio nacional:
- Impostos: R$ 2,24 (34,3%) — o ICMS é de R$ 1,57 por litro, valor fixo igual em todos os estados; o restante, cerca de R$ 0,67, são tributos federais.
- Refinaria (gasolina A): R$ 1,78 (27,3%) — a parcela que fica com a Petrobras e os demais produtores.
- Distribuição e revenda: R$ 1,68 (25,7%) — margem estimada de distribuidoras e postos.
- Etanol anidro: R$ 0,83 (12,7%) — o etanol misturado à gasolina.
Composição do preço médio de R$ 6,53 na semana de 23 a 29 de agosto de 2026, com dados da ANP e da Petrobras. A parcela de distribuição e revenda é estimada.
Mais de um terço do preço é imposto, e os impostos fixos por litro explicam por que o preço da gasolina varia menos que o do petróleo. Quase um quarto é margem de distribuição e revenda, valor praticamente igual ao da parcela da refinaria.
O que esses números mostram
A gasolina pesa no bolso porque é um gasto frequente e inevitável para quem depende do carro ou da moto para trabalhar, não porque tenha disparado acima de tudo. Em 25 anos, o litro acompanhou de perto a inflação e, nos últimos 14 anos, ficou atrás do salário médio. O que realmente mudou o orçamento foram os saltos de preço, como o de 2020 a 2022, que não foram revertidos depois.
Perguntas frequentes
Quanto custa a gasolina hoje?
Em agosto de 2026, o preço médio do litro da gasolina comum no Brasil era de R$ 6,53, segundo a ANP.
Quanto custava a gasolina em 2001?
Em julho de 2001, o litro da gasolina comum custava em média R$ 1,68.
A gasolina subiu mais que a inflação?
Desde 2001, não: subiu 291%, contra 336% do IPCA. Desde 2012, subiu 141%, acima dos 119% da inflação, mas abaixo dos 158% do salário médio.
Quanto de imposto tem na gasolina?
Cerca de 34% do preço. Dos R$ 6,53 do litro, R$ 2,24 são impostos: R$ 1,57 de ICMS (valor fixo por litro) e cerca de R$ 0,67 de tributos federais.
Fontes
- Preços da gasolina: ANP, série histórica do levantamento de preços (médias mensais do Brasil, 2001 a 2026).
- Composição do preço: Petrobras e Portal Tempo Novo, com dados da ANP (23 a 29/08/2026).
- Inflação: IBGE, IPCA. Salário médio: IBGE, PNAD Contínua (2º trimestre de 2012 e de 2026).
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