Médica conversa com paciente em consultório, com calculadora sobre a mesa: reajuste do plano de saúde

Poucas despesas pesam tanto no orçamento das famílias quanto o plano de saúde — e poucas são tão mal explicadas. Todo ano, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) divulga o teto de reajuste dos planos individuais e familiares. Somando os 27 reajustes anuais, de 2000 a 2026, o teto acumulou 739%. No mesmo período, a inflação oficial (IPCA) acumulou 405%.

Ou seja, o teto dos planos de saúde subiu cerca de 66% acima da inflação. Neste post, mostramos ano a ano como chegamos a esse número, como ele se compara com o salário e o que muda em 2026.

🏥 Teto da ANS desde 2000
+739%
acumulado em 27 reajustes anuais
📊 Inflação no período
+405%
IPCA de maio de 1999 a maio de 2026
📅 Teto de 2026
5,11%
o menor desde 2021

O teto de reajuste da ANS, ano a ano

Cada coluna é o percentual máximo autorizado pela ANS para os planos individuais e familiares naquele ano. O reajuste vale para os contratos com aniversário entre maio do ano indicado e abril do ano seguinte.

15,5%−8,19%5,11%

200020052010201520202026

10% ou mais   abaixo de 10%   reajuste negativo

Dos 27 reajustes, 7 foram de 10% ou mais, incluindo o de 2022, de 15,5%, o maior da série. O único negativo foi o de 2021 (−8,19%), reflexo da queda no uso dos planos durante a pandemia. Sem contar 2021, o teto médio foi de cerca de 8,9% ao ano.

Plano de saúde × inflação × salário mínimo (desde 1999)

Compondo todos os reajustes desde 2000, e comparando com o que aconteceu com a inflação e o salário mínimo (de R$ 136, em maio de 1999, para R$ 1.621):

💵 Salário mínimo+1.092%
🏥 Teto de reajuste da ANS+739%
📊 Inflação oficial (IPCA)+405%

O teto de reajuste ficou bem acima da inflação, mas abaixo do salário mínimo, que teve ganhos reais por muitos anos. Para quem ganha o mínimo, a conta do plano pesa menos do que em 1999. Já para quem teve reajustes de salário apenas pela inflação, o plano ficou muito mais caro.

Um exemplo: o plano de R$ 500

Imagine um plano individual que custava R$ 500 por mês em 1999 e foi reajustado todos os anos exatamente pelo teto da ANS. Hoje ele custaria cerca de R$ 4.194. Se tivesse subido apenas a inflação, custaria R$ 2.525:

💵 Se subisse como o salário mínimoR$ 5.960
🏥 Plano que acompanhou o teto da ANSR$ 4.194
📊 Se tivesse subido só a inflaçãoR$ 2.525

Exemplo hipotético. O valor real depende do plano, da operadora e da faixa etária, e muda também com os reajustes por mudança de faixa etária, que são separados do reajuste anual.

Desde 2012: o plano contra o salário médio

Desde 2012, primeiro ano da pesquisa do IBGE que mede o rendimento médio de todos os trabalhadores, o teto de reajuste acumulou 210% (14 reajustes, de 2013 a 2026). O salário médio do brasileiro subiu 154%, e a inflação, 120%:

🏥 Teto de reajuste da ANS+210%
👷 Salário médio do brasileiro+154%
📊 Inflação oficial (IPCA)+120%

Nesse período, um plano reajustado pelo teto da ANS ficou mais caro que a inflação e que o salário médio, o que significa que ele passou a ocupar uma parte maior da renda de quem o paga.

O que muda em 2026

Para os contratos com aniversário entre maio de 2026 e abril de 2027, o teto autorizado pela ANS é de 5,11%, o menor da série, com exceção do reajuste negativo de 2021. Em 2025, o teto foi de 6,06%, e, em 2024, de 6,91%.

Atenção: o teto não vale para todos

O teto da ANS vale apenas para os planos individuais e familiares contratados a partir de 1999 ou adaptados à lei dos planos de saúde. Segundo a ANS, eles reúnem 8,45 milhões de beneficiários, cerca de 16% dos 52,97 milhões de brasileiros com plano de assistência médica. Os outros 44,49 milhões estão em planos coletivos (empresariais ou por adesão), que não têm teto: o reajuste médio aplicado nos planos coletivos em 2025 foi de 10,76%, quase o dobro do teto dos individuais naquele ano (6,06%).

O que esses números mostram

O plano de saúde é um dos poucos serviços cujo preço subiu, ano após ano, acima da inflação. Em 26 anos, o teto dos planos individuais acumulou 66% acima do IPCA e, desde 2012, subiu mais que o salário médio. Os planos que mais pesam, porém, são os coletivos, que concentram a maioria dos beneficiários e não têm limite oficial de reajuste. Vale sempre conferir o percentual aplicado no seu contrato e, se estiver acima do teto (nos individuais), questionar a operadora ou a ANS.

Perguntas frequentes

Qual é o reajuste do plano de saúde em 2026?

Para planos individuais e familiares, o teto da ANS é de 5,11% para contratos com aniversário entre maio de 2026 e abril de 2027. Planos coletivos não têm teto.

Quanto os planos de saúde subiram desde 2000?

O teto de reajuste dos planos individuais acumulou 739% entre 2000 e 2026, contra 405% da inflação oficial no período.

Qual foi o maior reajuste da história dos planos de saúde?

O maior teto da ANS para planos individuais foi o de 2022, de 15,5%. Em 2021, houve o único reajuste negativo: −8,19%.

O teto da ANS vale para plano empresarial?

Não. O teto vale só para planos individuais e familiares. Planos empresariais e por adesão têm reajuste livre, definido em negociação entre operadora e contratante.

Fontes

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