
Para milhões de paulistanos, a passagem de ônibus é o primeiro gasto do dia. Em julho de 1994, no início do Plano Real, o ônibus em São Paulo custava R$ 0,50. Desde 6 de janeiro de 2026, a tarifa básica da SPTrans é de R$ 5,30. Em valores nominais, a alta foi de 960% em pouco mais de 32 anos.
Só que o número isolado engana. Para saber se a passagem ficou mesmo mais cara, é preciso compará-la com a inflação e com o salário. É o que fizemos, usando as tarifas oficiais da Prefeitura e da SPTrans.
As tarifas de ônibus em São Paulo ao longo do tempo
Principais marcos da tarifa básica do ônibus municipal, segundo a planilha tarifária da Prefeitura. Entre um marco e outro, o valor se manteve: por exemplo, a tarifa ficou em R$ 4,40 de 2020 a 2024.
Em maio de 2013, a Prefeitura publicou a tarifa de R$ 3,20, mas o aumento foi revogado após os protestos daquele ano, e o valor voltou a R$ 3,00.
A passagem subiu mais que a inflação desde 1994?
Desde 1994, sim. Se a passagem de R$ 0,50 de 1994 tivesse subido só a inflação oficial (IPCA) até janeiro de 2026, custaria cerca de R$ 4,05, e não R$ 5,30. Ou seja, a tarifa ficou cerca de 31% acima da inflação. Já o salário mínimo, no mesmo período, subiu muito mais:
O salário mínimo passou de R$ 64,79 para R$ 1.621. Por isso, na prática, a passagem pesa menos no bolso de quem ganha o mínimo do que pesava em 1994.
Desde 2012: tarifa, inflação e salário médio
Desde 2012, primeiro ano da pesquisa do IBGE que mede o rendimento médio de todos os trabalhadores, a tarifa foi de R$ 3,00 para R$ 5,30. O resultado:
A tarifa subiu 77%, abaixo da inflação (119%) e muito abaixo do salário médio do brasileiro (154%). Ou seja, de 2012 para cá, a passagem ficou mais barata em termos reais.
Quanto tempo de trabalho custa uma passagem
Quem ganha salário mínimo precisava trabalhar, em 1994, 1h42 para pagar uma passagem de ônibus. Hoje, são 43 minutos:
Cálculo: tarifa dividida pelo valor da hora de quem ganha o salário mínimo da época, com 220 horas por mês. Salários mínimos usados: R$ 64,79 (jul/1994), R$ 510 (jan/2010), R$ 998 (jan/2020) e R$ 1.621 (2026).
Quanto pesa a passagem no mês
Para um trabalhador que faz duas viagens por dia, em 22 dias úteis (44 viagens por mês, sem contar integrações), o gasto mensal com ônibus era de R$ 132 em 2012 e é de R$ 233,20 hoje. Em relação ao salário:
Mesmo com a tarifa mais alta em reais, a passagem ocupa uma fatia menor do salário do que ocupava em 2012. Para quem tem carteira assinada, vale lembrar que a lei do Vale-Transporte permite descontar do trabalhador no máximo 6% do salário-base; o restante é pago pelo empregador.
Quem paga a conta: o subsídio
A tarifa de R$ 5,30 não cobre o custo da viagem. Segundo a Prefeitura, sem subsídios a tarifa ao passageiro seria de R$ 11,78. Na prática, o passageiro paga cerca de 45% do custo; o restante, cerca de R$ 6,48 por viagem, vem do orçamento da cidade.
Levantamento publicado pelo JOTA em 2025 mostra que as compensações tarifárias da cidade chegaram a R$ 6,7 bilhões em 2024, mais da metade do custo do serviço. É por isso que a tarifa ficou congelada por cinco anos, de 2020 a 2024, sem que o custo do sistema deixasse de subir.
E o metrô, o trem e a integração?
- Metrô e trens (CPTM): tarifa básica de R$ 5,40 desde janeiro de 2026.
- Integração ônibus + metrô/trem: R$ 9,38 (tarifa comum), segundo a tabela da SPTrans.
- Integração entre ônibus: com o Bilhete Único, é possível fazer até quatro viagens de ônibus em três horas pagando uma só tarifa, o que reduz o custo de quem precisa de mais de uma linha.
- Estudantes: pagam metade da tarifa (R$ 2,65 no ônibus).
O que esses números mostram
Em 32 anos, a passagem de ônibus em São Paulo subiu 31% acima da inflação, mas muito menos que o salário mínimo, e desde 2012 ficou abaixo da inflação e do salário médio. Por isso, quem ganha o mínimo gasta hoje menos tempo de trabalho para pagar uma viagem do que em 1994. O contraponto é que o preço pago pelo passageiro cobre menos da metade do custo do sistema, e o restante sai do orçamento público. Para as famílias de menor renda, o desafio costuma estar menos na tarifa de uma viagem e mais no custo total de se deslocar todo dia, com integrações, distâncias e tempo de viagem.
Perguntas frequentes
Quanto custa a passagem de ônibus em São Paulo hoje?
A tarifa básica do ônibus municipal de São Paulo é de R$ 5,30, em vigor desde 6 de janeiro de 2026, segundo a SPTrans.
Quanto custava a passagem de ônibus em 1994?
No início do Plano Real, em julho de 1994, a passagem de ônibus em São Paulo custava R$ 0,50.
Quando foi o último aumento da passagem de ônibus em SP?
O último reajuste foi em 6 de janeiro de 2026, de R$ 5,00 para R$ 5,30. Antes, a tarifa tinha ficado em R$ 4,40 de 2020 a 2024 e subiu para R$ 5,00 em janeiro de 2025.
A passagem de ônibus subiu mais que a inflação?
Desde 1994, a tarifa subiu cerca de 960%, 31% acima da inflação oficial do período, mas bem abaixo do salário mínimo, que subiu mais de 2.400%. Desde 2012, a tarifa subiu 77%, abaixo dos 119% da inflação.
Quanto custa a passagem de ônibus com o Vale-Transporte?
No crédito eletrônico de Vale-Transporte, o ônibus custa R$ 5,82, e a integração ônibus + metrô/trem, R$ 11,32, segundo a tabela da SPTrans de janeiro de 2026.
Fontes
- Tarifas históricas: Planilha Tarifária da Prefeitura de São Paulo e Band (valores de 1994, 2015 e 2018).
- Tarifas e integrações em vigor: SPTrans e Diário do Transporte.
- Reajuste de 2026 e tarifa sem subsídio: Prefeitura de São Paulo.
- Compensações tarifárias em 2024: JOTA, abril de 2025.
- Inflação: IBGE, IPCA. Salário médio: IBGE, PNAD Contínua. Salário mínimo: valores oficiais de cada época.
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