
O botijão de gás é um dos poucos produtos que está em praticamente todas as casas do Brasil — e um dos que mais pesam no bolso de quem ganha pouco. Em julho de 2001, quando a ANP começou a acompanhar os preços mensalmente, o botijão de 13 kg custava em média R$ 17,19. Em agosto de 2026, custa R$ 113,90.
A alta foi de 564% em 25 anos, bem acima da inflação oficial do período, que foi de 336%. Se o preço de 2001 tivesse subido só a inflação, o botijão custaria hoje cerca de R$ 75. Mas, afinal, para onde vai o dinheiro que você paga no gás?
25 anos de preço do botijão de gás
O gráfico mostra o preço médio mensal do botijão de 13 kg no Brasil desde 2001. Depois de subir de forma gradual por quase duas décadas, o preço deu um salto entre 2020 e 2022 e nunca mais voltou ao patamar anterior.
Preço médio mensal do botijão de 13 kg no Brasil. Fonte: ANP, série histórica do levantamento de preços.
O preço do botijão, ano a ano
Preço médio no Brasil no mês de julho de cada ano:
O salto de 2020 a 2022
Entre julho de 2020 e julho de 2022, o botijão passou de R$ 69,96 para R$ 112,07 — uma alta de 60% em dois anos. O período coincidiu com a disparada do petróleo no mercado internacional e com a alta do dólar, que afetam diretamente o preço do gás vendido nas refinarias. Desde então, o preço oscilou entre R$ 100 e R$ 115, mas não voltou aos níveis anteriores.
O gás subiu mais que o salário e mais que a inflação
Desde 2012, primeiro ano da pesquisa do IBGE que mede o rendimento médio de todos os trabalhadores, o botijão subiu mais que o salário médio do brasileiro e quase o dobro da inflação oficial:
Na prática, quem ganha o salário médio precisava trabalhar 5 horas e 57 minutos para pagar um botijão em 2012. Hoje, são 6 horas e 43 minutos — quase um dia inteiro de trabalho por botijão.
Para onde vai o dinheiro do botijão
A dúvida é comum: se o gás sai da refinaria por cerca de R$ 35, por que chega ao consumidor por mais de R$ 110? A resposta está na composição do preço:
- Distribuidoras e revendas: R$ 60,96 (53,1%) — envase, transporte, entrega, custos e margem de lucro de quem distribui e de quem vende.
- Petrobras: R$ 34,73 (30,3%) — o preço do gás na saída da refinaria.
- ICMS (imposto estadual): R$ 19,11 (16,6%).
- Impostos federais: R$ 0,00 — PIS, Cofins e Cide sobre o gás de cozinha estão zerados.
Composição do preço médio no Brasil (R$ 114,80) na semana de 20 a 26 de setembro de 2026, segundo a Petrobras, com dados da ANP. A parcela de distribuição e revenda é estimada.
Ou seja: mais da metade do preço do botijão fica com as distribuidoras e com os revendedores, que envasam, transportam e entregam o gás. A parcela da Petrobras representa menos de um terço do valor final, e os impostos federais estão zerados.
O que esses números mostram
O botijão de gás não é um item que dá para cortar do orçamento: sem ele, não há como cozinhar. Por isso, cada aumento pesa mais nas famílias de menor renda, que gastam uma parte maior do salário com o básico. Ao longo de 25 anos, o gás de cozinha subiu acima da inflação e, nos últimos anos, também acima do salário médio — e a maior parte do preço final é formada depois que o gás sai da refinaria.
Perguntas frequentes
Quanto custa o botijão de gás hoje?
Em agosto de 2026, o preço médio do botijão de 13 kg no Brasil era de R$ 113,90, segundo a ANP.
Quanto custava o botijão de gás em 2001?
Em julho de 2001, o botijão de 13 kg custava em média R$ 17,19 no Brasil.
Quanto da Petrobras está no preço do botijão?
Cerca de 30%. Em setembro de 2026, a parcela da Petrobras era de R$ 34,73 em um botijão de R$ 114,80. Distribuição e revenda ficavam com 53% e o ICMS com 17%.
Tem imposto federal no gás de cozinha?
Não. Os tributos federais sobre o gás de cozinha (PIS, Cofins e Cide) estão zerados. O único imposto relevante no preço é o ICMS, estadual.
Fontes
- Preços do botijão: ANP, série histórica do levantamento de preços (médias mensais do Brasil, 2001 a 2026).
- Composição do preço: Petrobras, com dados da ANP (20 a 26/09/2026).
- Inflação: IBGE, IPCA. Salário médio: IBGE, PNAD Contínua (2º trimestre de 2012 e de 2026).
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